Os melhores exercícios de superiores
Os membros superiores se organizam em dois movimentos. Empurrar afasta o peso do corpo e trabalha peito, ombros e tríceps. Puxar aproxima o peso e trabalha costas, parte de trás do ombro e bíceps. A regra mais simples para montar a sessão é fazer tantas séries de puxar quanto de empurrar: assim as costas recebem o mesmo que o peito, e os braços já trabalham de quebra.
- Supino (empurrar). O supino reto com barra é o básico para mover mais peso. O supino reto com halteres e a flexão cumprem o mesmo papel sem barra.
- Remada (puxar). A remada sentada na polia e a remada com barra são o par natural do supino. Com halteres, use a remada unilateral com halter.
- Supino inclinado ou desenvolvimento (empurrar). O supino inclinado com halteres coloca mais trabalho na parte alta do peito, e o desenvolvimento militar sentado com halteres leva o peso acima da cabeça.
- Puxada ou barra fixa (puxar). A puxada frontal e a barra fixa puxam de cima para baixo e completam o trabalho de costas.
- Ombros e braços. Uma elevação lateral com halteres, uma rosca e uma extensão de tríceps bastam, com poucas séries. Os supinos e as remadas já trabalharam esses músculos.
Para escolher outros, veja os exercícios de peito, costas, ombros, bíceps e tríceps. Para focar em uma região, veja o treino de peito, o treino de costas ou o treino de ombro.
Treino de superiores na academia
Comece pelo exercício em que você mais quer evoluir, porque o que vem primeiro é o que mais ganha força (Nunes et al., 2021). Aqui se alternam um exercício de empurrar e um de puxar, e ombros e braços ficam para o final com poucas séries.
São 6 séries de empurrar, 6 de puxar e 6 diretas de ombros e braços. A rosca e o tríceps vão em super-série. Se faltar tempo, junte também cada supino com a puxada que vem depois: uma super-série de empurrar e puxar economiza tempo sem perder volume nem resultados, embora seja mais exigente (Zhang et al., 2025).
Treino de superiores com halteres
Com halteres e um banco você monta a mesma ideia. Como não há puxada, o pullover com halter cobre o movimento de cima para baixo. Esta versão já vai em super-séries: o primeiro de cada dupla não tem descanso e o segundo tem o descanso da volta.
São 6 séries de empurrar, 6 de puxar e 4 diretas de braços. Se o seu banco não tiver encosto, faça o desenvolvimento militar com halteres em pé.
Treino de superiores em casa, sem máquinas
Dá para ganhar músculo sem pesos se cada série terminar perto da falha, porque o músculo cresce de forma parecida com cargas leves ou pesadas quando as séries são duras (Schoenfeld et al., 2017). As flexões cobrem o empurrar e a faixa elástica cobre o puxar, que é o mais difícil de treinar em casa. Você precisa de uma faixa e de um ponto firme para prendê-la, como uma porta.
As flexões ainda pesam? Comece pela flexão inclinada ou pela flexão com joelhos apoiados e passe para a normal quando chegar a 15 repetições. Se você tem uma barra, troque a puxada frontal com elástico pela barra fixa assistida com elástico.
Quantas séries de superiores fazer por semana
Para ganhar músculo, o que mais pesa é quantas séries duras cada músculo faz por semana (Schoenfeld, Ogborn e Krieger, 2017). O ACSM associa a maior hipertrofia a 10 séries ou mais por músculo por semana e vê o ganho se estabilizar perto de 18 a 20 (Currier et al., 2026). A conta é músculo por músculo, não o total do dia. No começo não é preciso chegar a 10: com poucas séries também se evolui (Currier et al., 2023).
| Nível | Séries de cada um | Dias de superiores | Como dividir |
|---|---|---|---|
| Iniciante | Menos de 10 | 1 ou 2 | Um empurrar, um puxar e poucas séries de braços |
| Intermediário | 10 a 16 | 2 | 5 a 8 séries de peito e de costas por sessão |
| Avançado | Até 20 | 2 ou 3 | Um terceiro dia se não couberem com boa técnica |
A sessão da academia, feita 2 vezes por semana, dá 12 séries de peito e 12 de costas. Ombros, bíceps e tríceps ficam com 4 diretas cada um, mais o trabalho que recebem dos supinos e das remadas. Se quiser mais braço, some um treino de braço em outro dia.
Como encaixar em um treino de superiores e inferiores
O treino de superiores costuma ser a metade de um treino de superiores e inferiores: dois dias de superiores e dois de inferiores, alternados. Cada músculo é treinado duas vezes por semana, e como cada sessão trabalha metade dos músculos, sobram mais séries por região do que em um treino de corpo todo.
| Dia | Sessão | O que treina |
|---|---|---|
| Segunda e quinta | Superiores | Peito, costas, ombros e braços |
| Terça e sexta | Inferiores | Quadríceps, posteriores de coxa, glúteos e panturrilhas |
| Quarta, sábado e domingo | Descanso | Nada |
Com o mesmo volume semanal, os resultados são parecidos com os de outras formas de treinar. Em um ensaio com mulheres sem experiência prévia, 4 sessões de superiores e inferiores deram as mesmas melhoras de força e de massa muscular que 2 de corpo todo com as mesmas séries semanais (Pedersen et al., 2022), e uma meta-análise de 14 estudos sobre divisões em geral chega à mesma conclusão (Ramos-Campo et al., 2024). Para a outra metade da semana, veja o treino de inferiores.
O segundo dia não precisa ser igual ao primeiro. Muitos programas repetem os básicos com outra faixa, por exemplo um dia de 6 a 8 repetições e outro de 10 a 12, e trocam os acessórios. Trocar exercícios ao acaso em cada sessão, por outro lado, não deu mais músculo (Baz-Valle et al., 2019).
Erros comuns ao treinar superiores
- Empurrar mais do que puxar. Supino reto, supino inclinado e desenvolvimento sem nenhuma remada à vista é o caso típico. Conte as séries e deixe as de puxar no mesmo nível das de empurrar.
- Colocar exercícios demais. Dez exercícios de superiores em uma hora não saem bem. Priorize um empurrar e um puxar pesados, e some ombros e braços com poucas séries ou em super-séries.
- Deixar as costas para o final. O que fica por último sai com menos energia. Alterne empurrar e puxar em vez de terminar todo o peito antes de começar as costas.
- Ir à falha em todas as séries. Chegar à falha não dá mais músculo do que parar perto dela (Refalo et al., 2023). Deixe 1 ou 2 repetições em reserva na maioria das séries.
- Descansar muito pouco. Descansar mais de 60 segundos tem um benefício pequeno, e além de 90 quase não muda (Singer et al., 2024). Nos básicos pesados, se você busca força, mais de 2 minutos rende melhor em pessoas treinadas (Grgic et al., 2018).
Como evoluir no seu treino de superiores
- Anote cada série. Peso e repetições de cada exercício. Sem esse dado você não sabe o que superar na próxima sessão.
- Escolha um supino e uma remada como referência. São os que vêm primeiro e os que melhor mostram se você está evoluindo.
- Aumente primeiro as repetições. Somar repetições ou somar carga funcionam de forma parecida (Plotkin et al., 2022). Quando chegar ao topo da faixa em todas as séries, por exemplo 12 repetições, suba o peso o mínimo possível.
- Olhe o conjunto. Se ficar várias sessões seguidas sem evoluir, veja o sono e a alimentação antes de somar séries.
A regra completa está no guia de sobrecarga progressiva, as faixas estão em séries e repetições para hipertrofia e você pode estimar seu máximo no supino e na remada com a calculadora de 1RM.
Perguntas
Quais músculos um treino de superiores trabalha?
Peito, costas, ombros, bíceps e tríceps, e de quebra os antebraços. O abdômen costuma ir à parte, no fim de qualquer sessão: há uma sessão no treino de abdômen.
Quantas vezes por semana fazer treino de superiores?
Duas vezes é o habitual em uma divisão de superiores e inferiores. Com o mesmo volume semanal, uma ou duas vezes dão uma hipertrofia parecida (Schoenfeld, Grgic e Krieger, 2019), então escolha conforme os seus dias.
Quantos exercícios ele deve ter?
De 6 a 7 bastam: 2 de empurrar, 2 de puxar e 2 ou 3 de ombros e braços. Mais do que isso costuma alongar a sessão sem que os últimos saiam bem.
É melhor superiores e inferiores ou push pull legs?
Com o mesmo volume, dividir o corpo de um jeito ou de outro dá resultados parecidos (Ramos-Campo et al., 2024). Superiores e inferiores encaixa bem com 4 dias, e um treino push pull legs com 3 ou 6.
Dá para treinar superiores em casa?
Sim. As flexões cobrem o empurrar e uma faixa elástica cobre o puxar, se cada série terminar perto da falha e você for aumentando a dificuldade.
Fontes
- Schoenfeld BJ, Ogborn D, Krieger JW. Dose-response relationship between weekly resistance training volume and increases in muscle mass: a systematic review and meta-analysis. J Sports Sci. 2017. doi:10.1080/02640414.2016.1210197
- Schoenfeld BJ, Grgic J, Ogborn D, Krieger JW. Strength and hypertrophy adaptations between low- vs. high-load resistance training: a systematic review and meta-analysis. J Strength Cond Res. 2017. doi:10.1519/JSC.0000000000002200
- Currier BS, D'Souza AC, Singh MAF, et al. American College of Sports Medicine Position Stand. Resistance training prescription for muscle function, hypertrophy, and physical performance in healthy adults: an overview of reviews. Med Sci Sports Exerc. 2026. doi:10.1249/MSS.0000000000003897
- Currier BS, Mcleod JC, Banfield L, et al. Resistance training prescription for muscle strength and hypertrophy in healthy adults: a systematic review and Bayesian network meta-analysis. Br J Sports Med. 2023. doi:10.1136/bjsports-2023-106807
- Schoenfeld BJ, Grgic J, Krieger J. How many times per week should a muscle be trained to maximize muscle hypertrophy? A systematic review and meta-analysis of studies examining the effects of resistance training frequency. J Sports Sci. 2019. doi:10.1080/02640414.2018.1555906
- Nunes JP, Grgic J, Cunha PM, et al. What influence does resistance exercise order have on muscular strength gains and muscle hypertrophy? A systematic review and meta-analysis. Eur J Sport Sci. 2021. doi:10.1080/17461391.2020.1733672
- Zhang X, Weakley J, Li H, Li Z, García-Ramos A. Superset versus traditional resistance training prescriptions: a systematic review and meta-analysis exploring acute and chronic effects on mechanical, metabolic, and perceptual variables. Sports Med. 2025. doi:10.1007/s40279-025-02176-8
- Pedersen H, Fimland MS, Schoenfeld BJ, et al. A randomized trial on the efficacy of split-body versus full-body resistance training in non-resistance trained women. BMC Sports Sci Med Rehabil. 2022. doi:10.1186/s13102-022-00481-7
- Ramos-Campo DJ, Benito-Peinado PJ, Andreu-Caravaca L, Rojo-Tirado MA, Rubio-Arias JÁ. Efficacy of split versus full-body resistance training on strength and muscle growth: a systematic review with meta-analysis. J Strength Cond Res. 2024. doi:10.1519/JSC.0000000000004774
- Baz-Valle E, Schoenfeld BJ, Torres-Unda J, Santos-Concejero J, Balsalobre-Fernández C. The effects of exercise variation in muscle thickness, maximal strength and motivation in resistance trained men. PLoS One. 2019. doi:10.1371/journal.pone.0226989
- Refalo MC, Helms ER, Trexler ET, Hamilton DL, Fyfe JJ. Influence of resistance training proximity-to-failure on skeletal muscle hypertrophy: a systematic review with meta-analysis. Sports Med. 2023. doi:10.1007/s40279-022-01784-y
- Singer A, Wolf M, Generoso L, et al. Give it a rest: a systematic review with Bayesian meta-analysis on the effect of inter-set rest interval duration on muscle hypertrophy. Front Sports Act Living. 2024. doi:10.3389/fspor.2024.1429789
- Grgic J, Schoenfeld BJ, Skrepnik M, Davies TB, Mikulic P. Effects of rest interval duration in resistance training on measures of muscular strength: a systematic review. Sports Med. 2018. doi:10.1007/s40279-017-0788-x
- Plotkin D, Coleman M, Van Every D, et al. Progressive overload without progressing load? The effects of load or repetition progression on muscular adaptations. PeerJ. 2022. doi:10.7717/peerj.14142
Este guia é informativo e não substitui a consulta com um profissional de saúde.



















